sexta-feira, 4 de agosto de 2017

um R que me fez parar


Em tempos escrevi algo sobre R's... há textos ou temas que nos marcam como filhos... não tanto por serem bons, mas porque são para sempre...
e como na vida (não) há coincidências, aqui vai mais uma dupla de R's ...

Um destes dias depois de várias horas de intenso trabalho, fui desligar neuronios... para além de ter de caminhar por entre os espaços vazios de uma multidão qualquer, lia e também ouvia a ressonância das palavras que em conjugação aleatória agitavam pensamentos jamais pensados!
Em movimentos deambulantes desnorteados, há uma força imensamente fraca que me fixa o olhar... um pequeno quadrado assume-se como a luz que ilumina para dentro e encandeia para fora... à sua volta tudo igual, inerte, cinzento, indiferente, longe, inexistente ...
Talvez tenha sido a força de "Leão" que o fixou... mas foi um R que o fez parar... um R que o fez parar, para logo 'R'ejubilar ao ver que uma vez mais havia outro R ...
A música que contém carrega poucas palavras... mas para "um homem estranho" num "inverno triste", nada melhor que "respirar" os "restos de vida" numa qualquer "floresta submersa"!


terça-feira, 28 de março de 2017

Mar e paredão



Em tempos escrevi uma analogia entre "os altos e baixos" da vida, pessoal, profissional, das organizações ou até dos países... e a relação do mar com os paredões ...
"Há uma 'força' que constrói paredões para controlar o mar... mas de tempos a tempos o mar regressa e resgata o seu espaço!"
Para quem vive bem próximo do mar, sabe que o paredão não prevalece por ser forte, mas sim porque o mar é calmo... quando ele (mar) quiser (se revoltar) voltará a ocupar o seu espaço!
Talvez cada um possa pensar "de que lado está"... no paredão que nem uma pedra encrostada noutra sem ver/conhecer o todo, ou num mar que de tão calmo mais parece "o mar morto"...

terça-feira, 15 de novembro de 2016

CGD e a tragédia de Antígona


Muito se tem falado nos últimos meses sobre a Caixa Geral de Depósitos.
Apesar do meu défice de conhecimentos financeiros, sempre pensei que o ‘dinheiro’ do Estado estivesse na Caixa Geral de Depósitos e como tal não percebia o que seria a ‘recapitalização da Caixa’…
Um destes dias alguém me disse que o Estado Português tem dinheiro noutras entidades financeiras, em Portugal e no estrangeiro, e como tal irá transferir parte desses ativos para a CGD, tendo havido autorização prévia da Comissão Europeia, nomeadamente relativa às questões de ‘concorrência’.
Colocando de parte as questões financeiras, questiono simplesmente “O silêncio dos Inocentes” (expressão que corresponde aqui ao partido dos Camaradas) ou a “tragédia de Antígona” (figura da mitologia grega, expressão que aqui corresponde à atriz de teatro, coordenadora do movimento político de cidadãs e cidadãos), designadamente os arautos da geringonça.

Sugiro que por momentos façamos a seguinte reflexão.
1) Estamos com um Governo de Centro Direita, de um partido que não ganhou as eleições mas que tem maioria parlamentar;
A esquerda aceitaria em silêncio (dos inocentes…)!

2) Passaram mais de 7 meses desde a tomada de posse e mais de 3 meses do legítimo pedido de saída dos elementos da Administração da CGD; (novo governo, nova administração);
A esquerda aguentava… (se os sem-abrigo aguentam…)!

3) O Ministro da Finanças pede a esses administradores que se mantenham em funções (gestão corrente) até à nomeação e tomada de posse da nova equipa, uma vez que tem tido muito trabalho;
A esquerda entendia como razoável todo este tempo de espera… (também se espera nos serviços de urgência… e ninguém morre por isso)!

4) Eram nomeados como Administradores Executivos da CDG, entenda-se do Banco Público, gestores não públicos, grande parte deles com origem na ‘Banca Privada’, e com vencimentos, pagos pelos contribuintes, várias vezes superiores ao do Primeiro-ministro;
A esquerda aceitava… (o cargo de primeiro ministro é que está mal remunerado…)!

5) O governo criava uma legislação específica que dispensa que esses gestores não públicos apresentem ao tribunal constitucional as declarações de rendimento e de património;
A esquerda concorda… (têm direito à sua privacidade…imaginem que algum deles vive em união de facto com outro cidadão do mesmo género… não podem ser alvo de discriminação)!

No final desta história toda, vamos ver que foi uma verdadeira “Tragédia de Antígona”, onde esta figura mítica acaba por assistir à morte dos dois irmãos quando, imagine-se, lutavam um contra o outro para alcançar o trono…

Agora Acordem! “Inocentes” e “Antígona” suportam o Governo da Republica. Até quando? não sei, mas ouvi dizer que o Ministro das Finanças vai sair do governo…!




segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Trumpestade ou Monica Clinton



Durante mais de seis meses e a cerca de 5 mil km de distância fui (fomos) assistindo ao processo de eleição do próximo presidente dos EUA, cujo resultado estamos à beira de conhecer.
Dizem que os EUA são o país da liberdade e onde melhor se exerce a democracia. Porque será?
a)      Desde 1853 que só existem presidentes com origem num partido. Num de dois possíveis… Republicano (18) ou democrata (13);
b)      São os ‘Estados Unidos’ mas há estados em que ainda existe Pena de Morte;
c)      O candidato que obtiver mais votos pode não ser o vencedor;
d)      Nesta eleição em particular ficamos a saber muito pouco (ou quase nada) sobre a perspetiva que cada candidato tem sobre questões essenciais para a humanidade como sejam ambiente, segurança, economia…
Dir-se-á que a democracia é o menos mau de todos os sistemas de organização social e de representação politica dos interesses comuns. Mas, como em tudo, tem limitações.
A esta hora estamos perante incerteza de resultado, sendo que por um lado poderemos dizer: “damos-lhe o benefício da dúvida, e votamos Trump” e por outro dizer: “impossível ter aquele como presidente, e votamos Clinton”. Trump está e estará no centro das atenções e seguramente no centro da decisão de muitos votos. Nele ou contra ele. E isso, quer se queira quer não fará dele um vencedor de popularidade.
Clinton arrisca-se a ganhar depois de ter apanhado um susto durante as últimas semanas de campanha. Trump arrisca-se a ganhar, ficando eu com a ideia que ele seria(á) o “Boris Johnson” Americano (aquele que defendeu o Brexit e depois deixou o partido conservador, que propôs o referendo).
Não deixa também de ser curioso que depois do lendário, carismático e assassinado John F. Kennedy, do demissionário Nixon, do ator Regan, do Pai e Filho Bush e do Afroamericano Obama, venhamos agora a ter não o filho/descendente mas a esposa/’ascendente’ de um ex-presidente. Bill Clinton, Aquele presidente que melhor negociou o conflito Israel/Palestina mas que ficará na história pela frase: ”I did not have sexual relations with that woman
É também curioso apreciarmos algumas sondagens que referem que se fossem os europeus a votar, votaríamos de forma esmagadora em Clinton… já por cá, e em vários processos eleitorais, estamos ‘fartos’ de eleger Trumpestades… mas estas, aos olhos dos abstencionistas convictos, parece que só provocam Trumnados lá para os lados das Américas.

A falta de memória coletiva de como é viver num outro regime (comunista, fascista, monárquico, ‘faraónico’…), faz com que nos abstenhamos de participar nos processo democráticos, incluindo votações/eleições, permitindo naturalmente que apareçam figuras com tanto de superficialidade como de populismo, e como tal com elevada probabilidade de vencer… vamos ver!

sexta-feira, 12 de agosto de 2016


Incêndio no Inverno, e o 'frete politico' a ferro e fogo

Naturalmente que no verão os incêndios são um drama para as populações, um negócio para diversas áreas de uma «economia sombria» e um 'frete' para os políticos... já que a concretização de politicas de ordenamento, desenvolvimento e protecção do território é uma absoluta miragem dos últimos 40 anos...
Acontece que nas próximas 3 estações 'ninguém' irá falar deste «dinheiro queimado».
Não sendo um especialista neste domínio, penso, analiso e dou uns ‘bitaites’. Aqui vão:
- é sabido que o êxodo  rural fez com que as matas e florestas ficassem abandonadas;
- o desenvolvimento da floresta, não só como ‘património nacional’ mas também como valor económico não foi tido em consideração pelos pequenos proprietários, nem pelo Estado;
- mata/floresta queimada sempre esteve associada a interesse da economia «transformadora de madeira», bem como de grandes (influentes) complexos urbanísticos;
- a tão apregoada reflorestação, mais não foi do que plantar eucaliptos para produção de papel… desenfreadamente;
- voluntários, estudantes, funcionários das autarquias, agentes de segurança, militares entre outros, a vigilar as matas/florestas… é coisa de meninos…
- disponibilizar meios da força aérea para combater incêndios, não pode ser porque podemos, de repente ser atacados por algum… inimigo!

Não obstante todos estes pressupostos, o que mais me impressiona é o ‘provincianismo bacoco’ da comunicação social… a fazerem verdadeiros Reality show em direto… quem tem a imagem com a labareda maior? ou o jornalista mais perto do fogo, ou o cidadão que mais perdeu? Bom bom para o espetáculo era um jornalista queimado…
Mas o que já não se vê, é aquela comunicação social
acutilante, incisiva e exigente com a governação.
Aquela que em ano de muito menos incêndios, afirmava aos sete ventos e a fortes plumões: com este governos estamos a ‘Ferro’ e ‘ Fogo’!



segunda-feira, 11 de julho de 2016

Dois anos de diferença

GOOOOLLLOOOOOO!
A racionalidade do treino, da preparação, da tácita ou da motivação estremeceu na emoção da lesão do CR7, do poste do Patrício, da barra do Guerreiro e do golo do Éder! A vitória da seleção é de todos nós. Cada um sente este momento com seu, único, intransmissível mas distribuível. Cruzamos na rua com alguém que enverga um qualquer símbolo nacional e sorrimos, contagiamos de energia… abraçamos e sentimos. Pátria, Nação, Identidade, Pertença, Portugalidade… esta alegria dá para dar sem se perder ou se esgotar…
CR7 foi até ao momento o melhor futebolista Português (alguém com mais conhecimento de futebol poderá extrapolar para mundial) de todos os tempos.
É um futebolista por inteiro. Nasceu, sofreu, cresceu, fez-se, aperfeiçoou-se, em toda a plenitude: Homem, Atleta, Exemplo, Líder. Também ontem terá provado lágrimas de dor, e saboreado lágrimas de contentamento. Para a borboleta a lágrima não foi de dor, foi sabor de vida. Alguns crentes viram ali o toque de pai a acalmar o filho: ‘calma, descansa, tens outra missão a cumprir. Acredita!’. E assim foi. Outros mais biólogos ou caricatos viram ali a metamorfose do pantera negra a sussurrar: ‘diz ao Éder que eu (pantera) vou marcar um golo!’ E assim foi.
O último mês, em particular o dia de ontem, foi de soberba cooperação e superação. E estes serão porventura os melhores preceitos do Futebol para uma sociedade repleta de egoísmos, vaidades e individualismos.
27 anos depois jamais se lembrará, jamais esquecerei. No Estoril Praia para ele foi mais um ano como treinador, para mim foi o ano como jogador. Recordo bem a persistência, o trabalho rigoroso, o trato afável, sem ser eloquente nos discursos. Homem simples irradiava otimismo. “anda miúdo, vai, acredita…” jamais esquecerei!
Mas quis o destino aproximar os dois homens que hoje levantaram a taça à chegada a Portugal. O primeiro iniciou-se como treinador (1987) dois anos depois do nascimento do segundo (1985). O segundo chegou a campeão europeu (liga dos campeões) e da Europa (Euro 2016) aos 31 anos. O primeiro começou como treinador com 33 anos

As elipses de vida de dois homens de diferentes gerações quiseram-se tocar agora para proporcionar este momento fantástico… mas não obstante a enorme euforia, estão já a iniciar processo de afastamento natural. Euforia e nostalgia… e acalmia!