sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Completa Perda!

A vida que tão bela é de viver, recorda-nos de tempos a tempos que a finitude pode muito bem ser simplesmente plenitude!
Vai longe o mês de março do ano de 1992. Num tempo em que Coimbra era muito mais longe de Lisboa do que o é hoje, Londres, Paris ou Berlim.
Vivíamos tempos de pós entrada na União Europeia e curiosamente também de pós entrada no Ensino Superior. Os docentes estavam em greve. Estavam todos menos a diretora. Absolutamente solidária com as reivindicações, garantiu a recepção de mais uma turma de alunos, seguramente pela resposanbilidade por ser diretora, mas também, como mais tarde me confidenciou, pelo "direito que os alunos têm de ter aulas". Vivíamos tempos de personalidades com história e com convicções. Vivíamos tempos em que o duradouro era bem mais sublime que o efemero... em que o respeito pelo passado vivido era bem mais relevante que o fugaz presente destorcido ...
Durante 3 anos tive o enorme privilégio de conhecer a pessoa para lá da Diretora/mulher... foram muitos acontecimentos... muitas experiências... tantas aprendizagens...
Para além de aluno da Bissaya Barreto, ter sido desde muito cedo dirigente associativo e membro da Comissão de Gestão (naquele tempo a Comissão de Gestão da escola era constituída por 5 elementos:  a diretora por inerência, e 4 eleitos de entre os pares, um docente, um funcionário e dois estudantes) permiti-me trabalhar bem de perto com a Sr.a Enfermeira Delmina do Anjos Moreira.
Rigor, Frontalidade, Exigência, Justiça e Altruísmo. Tão simples mas tão difícil...
Mas a perda de hoje, como que encerra um ciclo.
Em mais de 25 anos de atividade profissional, cruzei-me com pessoas boas/más, fascinantes/dispensáveis, memoráveis/indiferentes... mas desta geração, que de alguma forma hoje fisicamente se extingue, recordo três pessoas absolutamente inigualáveis ... com as quais, apesar de muito mais novo, tive a honra de trabalhar...
Mariana Diniz de Sousa, Marília Viterbo de Freitas, Delmina dos Anjos Moreira.
Conheci muito bem as diferenças de pensamento entre elas...
Senti de forma marcante o que hoje se apela a "relação intergeracional"...
Percebi e aprendi que a construção do futuro faz-se com a força da diferença de pensamento, e como tal, o mais importante é pensar e deixar pensar ...
Vi como o respeito pelo outro é tão ou mais relevante que o respeito por nós próprios...
Compreendi a dificuldade dos embates, quase sempre longos, mas também o sabor das, mesmo que pequenas, conquistas... e que logo de seguida haverá mais trabalho, mais desafios, é mais exigências!
Estas três Senhoras, cada uma da sua forma, foram e são as minhas principais e mais antigas referências.
Claro que há saudades... claro que há tristeza...
mas a vontade de perpetuar os valores que me ensinaram, transmitindo-os aos outros, terá de ser superlativa!







sábado, 13 de janeiro de 2018

democrata, social e republicano

Não tenho filiação partidária mas tenho posição política.
Sinto-me um democrata, social e republicano, que acredita numa sociedade plural, em que as leis de mercado só serão equitativamente justas se existir um Estado forte com mais capacidade de regular do que de subsidiar.
Nas eleições internas do PSD teria votado Santana, tal como nas dos PS teria votado Seguro...
Talvez por ter esta 'incapacidade' de acompanhar as maiorias, me mantenho afiliado...



segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Eleitos e Eleitores, míopes e amblíopes

De volta à vida real, passada a convulsão frenética da corrida para as autárquicas, poderá fazer sentido revisitarmos "a democracia", mais concretamente o que me parece estar a agudizar-se na sociedade Portuguesa: um crescente desfasamento entre a vida vivida dos eleitores e a vida percebida pelos eleitos.

No dia 9 de outubro de 2017,  coincidindo com a sua saída, o Ministro Alemão das Finanças Wolfgang Schäuble "apontou Portugal como bom exemplo de estabilidade, para a consolidação do Euro" referindo-se ao período de ajustamento (estrangulamento) a que fomos sujeitos...
(https://www.rtp.pt/noticias/economia/ministro-alemao-das-financas-aponta-portugal-como-bom-exemplo-de-estabilidade_v1032459)

Esta consideração (apelidada por alguns como honrosa) de um alto governante Europeu, contrasta com uma outra notícia, de 24 de março de 2016:
"A Direção Geral da Saúde revela que no periodo de crise (2008-2012) se registou a taxa de mortalidade por suicido mais alta, pelo menos desde 1989".
http://observador.pt/2016/03/24/periodo-crise-economica-registou-taxa-suicidio-alta/
(Sugiro leitura integral desta noticia)

E ainda com outra mais recente, de dia 10 de outubro...
Em quatro anos, entre 2013 a 2016, o consumo de embalagens de antidepressivos duplicou em Portugal. 
(https://www.publico.pt/2017/10/10/sociedade/noticia/em-2016-consumimos-30-milhoes-de-embalagens-de-farmacos-para-depressao-e-ansiedade-1788262?BETA=1#)

E em breve lá teremos as eleições europeias...





sexta-feira, 4 de agosto de 2017

um R que me fez parar


Em tempos escrevi algo sobre R's... há textos ou temas que nos marcam como filhos... não tanto por serem bons, mas porque são para sempre...
e como na vida (não) há coincidências, aqui vai mais uma dupla de R's ...

Um destes dias depois de várias horas de intenso trabalho, fui desligar neuronios... para além de ter de caminhar por entre os espaços vazios de uma multidão qualquer, lia e também ouvia a ressonância das palavras que em conjugação aleatória agitavam pensamentos jamais pensados!
Em movimentos deambulantes desnorteados, há uma força imensamente fraca que me fixa o olhar... um pequeno quadrado assume-se como a luz que ilumina para dentro e encandeia para fora... à sua volta tudo igual, inerte, cinzento, indiferente, longe, inexistente ...
Talvez tenha sido a força de "Leão" que o fixou... mas foi um R que o fez parar... um R que o fez parar, para logo 'R'ejubilar ao ver que uma vez mais havia outro R ...
A música que contém carrega poucas palavras... mas para "um homem estranho" num "inverno triste", nada melhor que "respirar" os "restos de vida" numa qualquer "floresta submersa"!


terça-feira, 28 de março de 2017

Mar e paredão



Em tempos escrevi uma analogia entre "os altos e baixos" da vida, pessoal, profissional, das organizações ou até dos países... e a relação do mar com os paredões ...
"Há uma 'força' que constrói paredões para controlar o mar... mas de tempos a tempos o mar regressa e resgata o seu espaço!"
Para quem vive bem próximo do mar, sabe que o paredão não prevalece por ser forte, mas sim porque o mar é calmo... quando ele (mar) quiser (se revoltar) voltará a ocupar o seu espaço!
Talvez cada um possa pensar "de que lado está"... no paredão que nem uma pedra encrostada noutra sem ver/conhecer o todo, ou num mar que de tão calmo mais parece "o mar morto"...

terça-feira, 15 de novembro de 2016

CGD e a tragédia de Antígona


Muito se tem falado nos últimos meses sobre a Caixa Geral de Depósitos.
Apesar do meu défice de conhecimentos financeiros, sempre pensei que o ‘dinheiro’ do Estado estivesse na Caixa Geral de Depósitos e como tal não percebia o que seria a ‘recapitalização da Caixa’…
Um destes dias alguém me disse que o Estado Português tem dinheiro noutras entidades financeiras, em Portugal e no estrangeiro, e como tal irá transferir parte desses ativos para a CGD, tendo havido autorização prévia da Comissão Europeia, nomeadamente relativa às questões de ‘concorrência’.
Colocando de parte as questões financeiras, questiono simplesmente “O silêncio dos Inocentes” (expressão que corresponde aqui ao partido dos Camaradas) ou a “tragédia de Antígona” (figura da mitologia grega, expressão que aqui corresponde à atriz de teatro, coordenadora do movimento político de cidadãs e cidadãos), designadamente os arautos da geringonça.

Sugiro que por momentos façamos a seguinte reflexão.
1) Estamos com um Governo de Centro Direita, de um partido que não ganhou as eleições mas que tem maioria parlamentar;
A esquerda aceitaria em silêncio (dos inocentes…)!

2) Passaram mais de 7 meses desde a tomada de posse e mais de 3 meses do legítimo pedido de saída dos elementos da Administração da CGD; (novo governo, nova administração);
A esquerda aguentava… (se os sem-abrigo aguentam…)!

3) O Ministro da Finanças pede a esses administradores que se mantenham em funções (gestão corrente) até à nomeação e tomada de posse da nova equipa, uma vez que tem tido muito trabalho;
A esquerda entendia como razoável todo este tempo de espera… (também se espera nos serviços de urgência… e ninguém morre por isso)!

4) Eram nomeados como Administradores Executivos da CDG, entenda-se do Banco Público, gestores não públicos, grande parte deles com origem na ‘Banca Privada’, e com vencimentos, pagos pelos contribuintes, várias vezes superiores ao do Primeiro-ministro;
A esquerda aceitava… (o cargo de primeiro ministro é que está mal remunerado…)!

5) O governo criava uma legislação específica que dispensa que esses gestores não públicos apresentem ao tribunal constitucional as declarações de rendimento e de património;
A esquerda concorda… (têm direito à sua privacidade…imaginem que algum deles vive em união de facto com outro cidadão do mesmo género… não podem ser alvo de discriminação)!

No final desta história toda, vamos ver que foi uma verdadeira “Tragédia de Antígona”, onde esta figura mítica acaba por assistir à morte dos dois irmãos quando, imagine-se, lutavam um contra o outro para alcançar o trono…

Agora Acordem! “Inocentes” e “Antígona” suportam o Governo da Republica. Até quando? não sei, mas ouvi dizer que o Ministro das Finanças vai sair do governo…!




segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Trumpestade ou Monica Clinton



Durante mais de seis meses e a cerca de 5 mil km de distância fui (fomos) assistindo ao processo de eleição do próximo presidente dos EUA, cujo resultado estamos à beira de conhecer.
Dizem que os EUA são o país da liberdade e onde melhor se exerce a democracia. Porque será?
a)      Desde 1853 que só existem presidentes com origem num partido. Num de dois possíveis… Republicano (18) ou democrata (13);
b)      São os ‘Estados Unidos’ mas há estados em que ainda existe Pena de Morte;
c)      O candidato que obtiver mais votos pode não ser o vencedor;
d)      Nesta eleição em particular ficamos a saber muito pouco (ou quase nada) sobre a perspetiva que cada candidato tem sobre questões essenciais para a humanidade como sejam ambiente, segurança, economia…
Dir-se-á que a democracia é o menos mau de todos os sistemas de organização social e de representação politica dos interesses comuns. Mas, como em tudo, tem limitações.
A esta hora estamos perante incerteza de resultado, sendo que por um lado poderemos dizer: “damos-lhe o benefício da dúvida, e votamos Trump” e por outro dizer: “impossível ter aquele como presidente, e votamos Clinton”. Trump está e estará no centro das atenções e seguramente no centro da decisão de muitos votos. Nele ou contra ele. E isso, quer se queira quer não fará dele um vencedor de popularidade.
Clinton arrisca-se a ganhar depois de ter apanhado um susto durante as últimas semanas de campanha. Trump arrisca-se a ganhar, ficando eu com a ideia que ele seria(á) o “Boris Johnson” Americano (aquele que defendeu o Brexit e depois deixou o partido conservador, que propôs o referendo).
Não deixa também de ser curioso que depois do lendário, carismático e assassinado John F. Kennedy, do demissionário Nixon, do ator Regan, do Pai e Filho Bush e do Afroamericano Obama, venhamos agora a ter não o filho/descendente mas a esposa/’ascendente’ de um ex-presidente. Bill Clinton, Aquele presidente que melhor negociou o conflito Israel/Palestina mas que ficará na história pela frase: ”I did not have sexual relations with that woman
É também curioso apreciarmos algumas sondagens que referem que se fossem os europeus a votar, votaríamos de forma esmagadora em Clinton… já por cá, e em vários processos eleitorais, estamos ‘fartos’ de eleger Trumpestades… mas estas, aos olhos dos abstencionistas convictos, parece que só provocam Trumnados lá para os lados das Américas.

A falta de memória coletiva de como é viver num outro regime (comunista, fascista, monárquico, ‘faraónico’…), faz com que nos abstenhamos de participar nos processo democráticos, incluindo votações/eleições, permitindo naturalmente que apareçam figuras com tanto de superficialidade como de populismo, e como tal com elevada probabilidade de vencer… vamos ver!